domingo, 23 de março de 2014

- O REI VAI NU -

No dia em que o rei quis fazer anos
À festa anunciada com todo o rigor
Compareceram aos desenganos
Mostrando desconfortável pavor.

Afinal o que o mundo quer é festa
Para comer, bebendo, bailando...
Perdoando gente desonesta
Esquecendo tantos penando...

Os alarves, chegando, Hipócritas
Espalhando alegria a rodos
Vão fazendo acenos às Portas

Que o rei mesmo nu é de todos
Também para pessoas já mortas
Que vão vivendo nascidos entrudos...

-NA FESTA DOS ODRES E DOS PODRES-

In poemas meus livII
Lobo mata

sábado, 1 de março de 2014

VIVÊNCIAS




XLV


POMBA BRANCA


Estou só
Sozinho olhando o nada
Vendo a pomba branca a querer um café.
É só entrar!


Ninguém vai recusar, nem sequer protestar
Se a pomba branca estiver sentada.
É minha convidada!


Parou de chover de chover e ela aterrissou ali, na berma do passeio.
Despassarada. Suja. Desasada!


Ninguém lhe ligou e foi andando
Bicando aqui, ali, "acoli"... à procura do nada.


Entra!
Repeti, quando voltou a passar pela porta de entrada.


Anda pomba branca
É só entrar
Estás convidada!


Estou só: quatro cadeiras.
Uma para mim ; basta!
Mesmo com a pomba branca
Sobram duas cadeiras.
Mas não há ninguém a querer o espaço...
Nem a pomba branca.
Que! Quando tentou entrar a sorrir...
Foi corrida pelo ameaçador pontapé do empregado do café.


Posta em fuga dali, se refugiou bem longe
A pomba branca que convidei para tomar café!


Me traga mais um café! Por favor!


O deixei arrefecer no lugar em frente do que eu ocupava.


Paguei antes de sair
Proibida que lhe foi ...
Vedada a porta de entrada.


Pomba branca
Pomba branca
POMBA BRANCA QUERIDA  E AMADA!


in poemas meus livII
Lobo mata

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

PROMETI PASSAR POR AQUI MAIS ASSIDUAMENTE. E QUEM PROMETE CUMPRE!
DEVE...DEVIA CUMPRIR!!!

E assim!
Dito no auditório Carlos Paredes em Benfica a 04/01/2014

VIVÊNCIAS PARTE XLII


Está bonita a avenida
Neste final de Outono
As árvores se despindo todas ao mesmo tempo.

A suave aragem isso provoca
E o tapete amarelo/acastanhado que a chuva caindo cola ao chão...
faz da rua, do passeio um quadro florido de Matisse, de Monet, de Van Gogh ou
ainda de... que apetece, mas não sabe bem pisar!

Folhas caídas.
Pedindo cuidado pelas escorregadelas.
Pedindo cuidado por entupirem as sarjetas.
Pedindo atenção porque se o vento vier, a dança pode surpreender.

Estão a ficar despidas as árvores da avenida neste final de Outono e
do Inverno que vier!
Se vão despindo de cima para baixo, algumas mostrando, já, as pernas da
cintura para baixo a condizer!

Da minha varanda, onde algumas folhas que o vento trouxe para me cumprimentar,
suavemente rodopiam, olho a avenida do cimo ao fundo e sinto a sensação pura
do ciclo da vida...

Na liberdade do tempo
Este tempo profundo
Que faz parte do mundo!!!

In poemas meus LivII
Lobo mata

138 - ESPERANÇA

Como se o mundo tivesse acabado
E nada mais se pudesse fazer
Como se o que é terminado
Nunca mais pudesse acontecer.

Mas porque o mundo é redondo
E redondo vai continuar a ser
No caminho do universo profundo
Nova vida, vida nova, vai nascer.

Num encontro mais que inesperado
Que a nós nos levou, sem mais querer
E em nada possa ser malvado

Nem sequer ser alvo de mal dizer...
Nascendo de alguém apaixonado
E se limitando a sobreviver!

In poemas meus LivII
Lobo mata



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Há muito que não passo por aqui!

Hoje, até porque o natal se aproxima, é aqui que deixo aos meus amigos, a quem quero e a quem amo, este poema que não falando no natal....é um poema de Natal. Sejam felizes. sorrindo. sempre!

- CORAÇÃO GRANDE -

Eu queria ter
Um coração grande
Assim!
Do tamanho do mundo!

Um coração para salvar vidas
Retirar da morte
Tantos infelizes pobres
Da sua má sorte.

Eu queria ter
Um coração grande
Assim!
Do tamanho do mundo!

Capaz de dar vida
A quem a não tem
Porque a vida perdida
Não salva ninguém.

Eu queria ter
Um coração grande
Assim!
Do tamanho do mundo!

Que se fizesse ouvir
Em toda a parte
E também repartir
Para que nada falte.

Eu queria ter
Um coração grande
Assim!
Do tamanho do mundo!

Para o abrir a todos
E ir mais fundo
Dar vida a rodos
Sem pobreza no mundo.

Espalhar vida e viver
A vida com emoção
De ser
Um coração grande
Assim!
Do tamanho do mundo!!!

In poemas meus livII
Lobo mata
e sejam felizes sorrindo!

sábado, 26 de outubro de 2013

Vivências - XL


VINDIMAS


Era tempo!
Que era tempo de vindimas.
Que era tempo de encontros ao amanhecer
Anoitecer
Acontecer.

Que era tempo de refinar o moscatel colhido com todos e tantas alegrias.

Quando chegará o tempo de vindimas todos os dias.
Quando chegará o tempo de saborear as uvas vadias.
Quando chegará o tempo  de todos os dias
Como naquele dia!

Que ganhei a uva que mordi e tu mordiscavas, com lábios de rosa, na colheita do dia infindo de nós, de tu mais eu, nas tardes solarengas e noites de luar.

Quando vai chegar o dia da noite que vier.
E amanhecer
E anoitecer
E acontecer.

In poemas meus livII
Lobo mata




domingo, 6 de outubro de 2013

De vez em quando me lembro que este blog..é meu e precisa de mim. Como eu preciso dele..... como hoje domingo depois de um sábado de espectáculo no auditório Carlos Paredes ...em Benfica - Lisboa.

No palco comecei por homenagear um poeta recentemente falecido ANTÓNIO RAMOS ROSA, dizendo « É POR TI QUE ESCREVO ».

Depois sempre me decidi a tornar público um poema que ainda não tinha cumprido as normalmente três semanas .. de vida e da última revisão.  Como mereceu aplauso e elogios individualmente expressos... fica bem neste meu blog...

MENTIROSOS.... ALDRABÕES.

Cavalgando montes e vales
À procura de um olhar
Rendido às adversidades
Perdido sem nada achar.

Quando tudo se pode encontrar
Se a tudo disser sim! Sim!
Muito, tanto, para ir buscar
Percorrendo o mundo sem fim.

Neste mundo tão embrulhado
De pessoas indiferentes
Onde tudo é tramado
Pelos muito maldizentes
Neste momento de desgraça
Que nos conduzem ao nada
Fruto da trapaça 
De gente tão mal formada.

Mas o inverno os desespera
No rodopiar das estações
Porque o inferno os espera
Para pagarem suas maldições

Sem dizerem que foi por acaso...
Que andaram a enganar
Porque cada caso é um caso
E, não se fartaram  de roubar

Paguem, então, tudo o que devem
Assim! Com língua de palmo
Estas dividas nunca prescrevem
Delas nunca estarão a salvo

As pagarão no inverno
Noutra qualquer estação
Até pode ser no inferno
Com todo o tempo
E toda a formação!

Para poderem subir
Sem terem montes e vales
Aprenderem a não mentir
Nem aldrabar ou cavalgar as verdades!

In poemas meus LivII
Lobo mata